Banco de Moçambique aumenta para 17,25% a Taxa de Juro de Política Monetária

bmedificio2020O Comité de Política Monetária (CPMO) do Banco de Moçambique decidiu aumentar a taxa de juro de política monetária, taxa MIMO, de 15,25% para 17,25%. A medida visa assegurar o retorno da inflação para um dígito, no médio prazo, num contexto em que se perspectiva a manutenção da volatilidade dos preços dos produtos energéticos e alimentares a nível internacional, em face do prolongamento do conflito entre a Rússia e a Ucrânia, com potencial para desencadear uma espiral de aumento sustentado de preços a nível doméstico.

Segundo o comunicado do Banco de Moçambique, as perspectivas de inflação apontam para um contínuo aumento, no curto prazo, e uma desaceleração, no médio prazo. Em Agosto, a inflação anual acelerou para 12,1%, após 11,8% em Julho, a reflectir, essencialmente, o aumento dos preços dos bens administrados, com destaque para os transportes semi-colectivos urbanos, pese embora a inflação subjacente se tenha mantido estável. Para o médio prazo, antevê-se o retorno da inflação para um dígito, a reflectir os efeitos dos aumentos da taxa MIMO e a contínua estabilidade do Metical, num contexto de incertezas quanto ao comportamento dos preços dos produtos energéticos e alimentares no mercado internacional.

Os riscos e incertezas associados às projecções de inflação continuam elevados. A nível interno, prevalecem as incertezas em relação ao ajustamento dos preços dos bens administrados e o seu impacto sobre os preços de outros bens e serviços. A nível externo, mantêm-se as incertezas em relação à magnitude e persistência dos efeitos do conflito entre a Rússia e a Ucrânia.

Mantêm-se as previsões de recuperação económica em 2022 e 2023, não obstante as perspectivas de abrandamento da procura externa. Estas previsões são sustentadas pela execução dos projectos energéticos em Inhambane e na bacia do Rovuma e pelo início da exportação do gás liquefeito, num contexto de implementação do programa com o Fundo Monetário Internacional e de retoma da ajuda externa de parceiros de cooperação.

A dívida pública interna aumentou. O endividamento público interno, excluindo os contratos de mútuo e de locação e as responsabilidades em mora, situa-se em 263,1 mil milhões de meticais, o que representa um aumento de 44,3 mil milhões em relação a Dezembro de 2021.

O CPMO continuará a monitorar a evolução dos riscos e incertezas associadas às projecções da inflação, e não hesitará em tomar as medidas correctivas necessárias.

A próxima reunião ordinária do CPMO está marcada para o dia 30 de Novembro de 2022.

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