Banco Central mantém a Taxa de Juro de Política Monetária em 15,25%

taxajuro23072022.jpgO Comité de Política Monetária (CPMO) do Banco de Moçambique decidiu manter a taxa de juro de política monetária, taxa MIMO, em 15,25%. Esta decisão é sustentada pelas perspectivas de desaceleração da inflação para um dígito no médio prazo, decorrente do abrandamento da procura externa e consequente desaceleração dos preços internacionais das mercadorias, num contexto de manutenção da estabilidade cambial. Entretanto, no curto prazo, antecipa-se a continuação do aumento dos preços, a reflectir a repassagem dos elevados custos do petróleo e de alimentos no mercado internacional, para a economia doméstica.

Segundo o comunicado do Banco de Moçambique, as perspectivas de inflação apontam para uma contínua aceleração no curto prazo e uma desaceleração no médio prazo. Em Junho, a inflação anual acelerou para 10,8%, contra 9,3% em Maio, a reflectir, sobretudo, o aumento dos preços dos bens administrados, com destaque para os combustíveis e transportes. A inflação subjacente, que exclui os preços dos bens e serviços administrados e das frutas e vegetais, e que é influenciada pela política monetária, acelerou ligeiramente, a traduzir, essencialmente, a repassagem do aumento dos preços administrados para os de outros bens e serviços. Para o médio prazo, antevê-se a manutenção da inflação em um dígito, favorecida pela estabilidade do Metical e pelo refreamento dos preços internacionais das mercadorias, em consequência do abrandamento da procura externa.

Os riscos e incertezas associados às projecções de inflação continuam elevados. A nível interno, prevalecem incertezas em relação ao ajustamento dos preços dos bens administrados, com realce para os combustíveis e a magnitude do seu impacto sobre os preços de outros bens e serviços. A nível externo, mantêm-se as incertezas em relação ao prolongamento do conflito geopolítico entre a Rússia e a Ucrânia.

Mantêm-se as perspectivas de recuperação económica em 2022 e 2023, não obstante o abrandamento da procura externa. Para o curto e médio prazo, mantêm-se as perspectivas de recuperação económica, sustentadas, principalmente, pela execução dos projectos energéticos em Inhambane e na bacia do Rovuma, e pelo início da exportação do gás liquefeito, num contexto de retoma do programa com o Fundo Monetário Internacional e de ajuda externa de outros parceiros de cooperação.

A dívida pública interna continua elevada. O endividamento público interno, excluindo os contratos de mútuo e de locação e as responsabilidades em mora, situa-se em 248,2 mil milhões de meticais, o que representa um aumento de 29,4 mil milhões em relação a Dezembro de 2021.

As perspectivas macroeconómicas recentes são consentâneas com a manutenção do actual nível da taxa MIMO no curto prazo. No entanto, em caso de agravamento dos riscos e incertezas associados às projecções de inflação, o CPMO não hesitará em aumentar a taxa MIMO para assegurar, no médio prazo, a inflação em um dígito.

A próxima reunião ordinária do CPMO está agendada para o dia 15 de Setembro de 2022.

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