Banco de Moçambique mantem a Taxa de Juro de Política Monetária em 15,25%

cpomomaio22.jpgO Comité de Política Monetária (CPMO) do Banco de Moçambique (BM) decidiu, no dia 19 de Maio corrente, manter a taxa de juro de política monetária, taxa MIMO, em 15,25%. Esta decisão é sustentada pelas perspectivas de manutenção da inflação em um dígito no médio prazo, não obstante os elevados riscos e incertezas associados à estas projecções, com destaque para os efeitos da tensão geopolítica na Europa. Entretanto, no curto prazo, a inflação continuará elevada, reflectindo o impacto do ajustamento dos preços dos bens administrados.

Num comunicado aos órgãos de comunicação, o BM refere as perspectivas de inflação mantêm-se em um dígito no médio prazo, não obstante a maior pressão no curto prazo, devido ao ajustamento dos preços dos bens administrados. Em Abril, a inflação anual acelerou para 7,9%, contra 6,7% em Março, a reflectir o aumento dos preços dos combustíveis e dos bens alimentares. A inflação subjacente, que exclui os preços dos bens e serviços administrados e das frutas e vegetais, e que é impactada pela política monetária, mantém-se estável. Para o médio prazo, antevê-se a manutenção da inflação em um dígito, favorecida, em parte, pela estabilidade do Metical.

Os riscos e incertezas associados às projecções de inflação continuam elevados. A nível interno, realçam-se as incertezas quanto a magnitude do aumento dos preços dos bens administrados, com destaque para o combustível e seus efeitos sobre os preços de outros bens e serviços. A nível externo, mantêm-se os constrangimentos nas cadeias de fornecimento de bens e o conflito geopolítico entre a Rússia e Ucrânia, com impacto no aumento do preço do petróleo e dos bens alimentares no mercado internacional.

Mantêm-se as perspectivas de crescimento económico para 2022 e 2023. O produto interno bruto cresceu 4,1% no primeiro trimestre de 2022, a reflectir o contínuo alívio das medidas restritivas para a contenção da COVID-19, que impulsionou sobretudo a hotelaria e restauração, e a melhoria da procura externa que, por sua vez, favoreceu o desempenho da indústria extractiva. Para o curto e médio prazo, mantêm-se as perspectivas de recuperação económica, sustentadas, adicionalmente, pela execução dos projectos energéticos em Inhambane e na bacia do Rovuma, num contexto de retoma do programa com o Fundo Monetário Internacional.

Mantém-se ainda a pressão sobre o endividamento público interno. A dívida pública interna, excluindo os contratos de mútuo e de locação e as responsabilidades em mora, situa-se em 245.6 mil milhões de meticais, o que representa um aumento de 26.7 mil milhões em relação à Dezembro de 2021.

As perspectivas macroeconómicas recentes são consentâneas com a manutenção do actual nível da taxa MIMO no curto prazo, por forma a garantir uma inflação baixa e estável, principal objectivo do Banco de Moçambique. O CPMO continuará a monitorar a evolução dos riscos e incertezas associados às projecções de inflação e não hesitará em tomar as medidas correctivas necessárias.

A próxima reunião ordinária do CPMO está agendada para o dia 27 de Julho de 2022.

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