Com o apoio da FIA: Moçambique poderá contar com uma unidade de produção de Algodão
O Fórum de Investimento em África (FIA) anunciou, recentemente, que está a analisar o financiamento de 15 projetos em África no valor de 3,8 mil milhões de dólares, que inclui uma fábrica de algodão em Moçambique
“Quatro projetos patrocinados foram convidados a apresentar o seu negócio a mais de 100 investidores presentes na reunião, incluindo uma fábrica de processamento de laticínios em Angola e uma unidade de produção de algodão em Moçambique”, entre outros, publicou à Lusa citando um comunicado da organização.
A reunião virtual decorreu no dias 16 e 17 de Julho corrente e faz parte da resposta à pandemia de COVID-19 organizada pelo Banco Africano de Desenvolvimento no âmbito do FIA, que pretende alavancar os investimentos no continente.
Os 15 projetos, no valor de 3,8 mil milhões de dólares, cerca de 3,3 mil milhões de euros, serão “o canal para a recuperação económica africana a seguir à pandemia, disseram os parceiros do FIA, que expressaram confiança no potencial do continente para recuperar da atual crise económica e financeira”, lê-se ainda no comunicado.
“África vai sair da pandemia e vai construir economias melhores e mais fortes”, comentou o presidente do BAD, Akinwumi Adesina no final da reunião que juntou os investidores e as empresas, replicando o encontro anual.
“O FIA não é um sítio para conversas, o que estamos a tentar fazer é focar-nos nos esforços dos nossos parceiros sobre os negócios que estão no nosso portefólio em condições de receber financiamento”, vincou o diretor do FIA, Chinelo Anohu, acrescentando: “Não estamos concentrados apenas no setor da saúde, mas também noutros setores que vão ajudar a arrancar a recuperação em todo o continente”.
Até agora, o FIA já facilitou a conclusão de oito negócios no valor de 2,18 mil milhões de dólares, o equivalente a 1,9 mil milhões de euros.
Em África, há 15.082 mortos confirmados em mais de 720 mil infetados com COVID-19 em 54 países, segundo as estatísticas mais recentes sobre a pandemia naquele continente.
A pandemia de COVID-19 já provocou mais de 606 mil mortos e infetou mais de 14,5 milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.
Pandemia pode agravar défice orçamental para 8,2% até Dezembro
O Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) prevê um agravamento do défice das contas públicas em Moçambique de 4,5%, para quase o dobro (8,2%) no fecho do ano, devido aos efeitos da pandemia da COVID-19.
No seu mais recente relatório, Africa’s economic performance and outlook amid COVID-19, o Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) traça um cenário pior para a economia moçambique até Dezembro próximo.
Na publicação consultada pelo “O País Económico”, o BAD reviu em baixa as estimativas de Janeiro. Ou seja, o défice orçamental poderá chegar aos 8,2% no fecho de 2020 devido ao novo Coronavírus, contra a previsão inicial de 4,5%. Em 2019, este indicador fixou-se nos 2,2%.
Com o país já no quarto mês do Estado de Emergência, o Produto Interno Bruto (PIB) pode crescer 1,5% num cenário optmista, que supõe um abrandamento da pandemia até finais de Julho corrente. No pior dos cenários, o BAD prevê uma recessão económica de 2%, assumindo que a COVID-19 persista até o final do ano.
“A desaceleração do crescimento seria impulsionada pela queda nos sectores de construção, do turismo e dos transportes, bem como o baixo volume do Investimento Directo Estrangeiro”, indica o Africa’s economic performance and outlook amid COVID-19.
Prevê-se que a inflação (custo de vida) acelere para 6,6%, devido ao encerramento das fronteiras, contração de crédito ao sector produtivo, o que poderia elevar os preços de bens, principalmente alimentos.
“A oferta doméstica já é insuficiente para atender à crescente demanda, e a instabilidade que atrapalha a logística no centro e no norte do país pode adicionar mais pressão sobre os preços dos alimentos”, sublinha o relatório.
Ainda sobre as contas públicas, o BAD refere que um colapso nas exportações de mercadorias pioraria o défice da conta corrente para 62,3% do PIB projectado no cenário de linha de base, com potencial de aumentar ainda mais para 67,2% no pior cenário.
MEDIDAS DE ALÍVIO À ECONOMIA
Entretanto, e apesar do BAD ter agravado as projecções macroeconómicas de Moçambique para o fecho do ano, destaca uma série de medidas visando mitigar os efeitos da pandemia.
Devido ao espaço fiscal limitado, o Executivo solicitou USD 700 milhões de parceiros de desenvolvimento para apoiar as possíveis crises de saúde e macroeconómicas. As principais áreas de apoio incluem o fortalecimento da protecção social e a redução das restrições de crédito.
E mais, o Comité de Política Monetária do Banco de Moçambique vem fornecendo liquidez financeira por meio de uma série de medidas de crédito. Reduziu a taxa de juros da política monetária em 150 pontos base para 11,25%, o índice mínimo de reserva do banco em 1,5 pontos percentuais para depósitos em moeda local e estrangeira e introduziu uma linha de crédito em moeda estrangeira de USD 500 milhões para os bancos aumentarem a liquidez na economia.
“Também está facilitando o licenciamento de importação, isentando o pagamento de impostos de importação sobre medicamentos, reagentes e todo o material de prevenção e ventiladores COVID-19, além de suspender o imposto sobre o valor agregado dos produtos de higiene. E está renunciando a multas por atrasos nos pagamentos de impostos e pelo fornecimento de carência de imposto de renda até o final de 2020 para micro, pequenas e médias empresas e pela suspensão de convênios e acções relacionadas à dívida bancária”, refere o documento.
COVID-19 E FUTURAS PANDEMIAS
Com a economia global em colapso. O BAD aponta que no curto prazo, devem ser priorizadas medidas para evitar uma contração de
crédito, impedir a perda de empregos e minimizar o impacto na balança comercial.
Isso inclui implementar uma “combinação adequada de estímulos monetários e fiscais” e alavancar programas sociais para aumentar a cobertura de grupos vulneráveis. Reforçar carteiras e pagamentos móveis também é essencial para evitar mais contágio e minimizar os riscos de interrupção de renda para os indivíduos.
Em suma, o relatório do Banco Africano de Desenvolvimento detalha os prováveis ??custos macroeconómicos e sociais da pandemia de COVID-19 para a África. Também define opções de políticas para os países que enfrentam a crise.
Se a pandemia é de curta duração, para que os países possam suspender os bloqueios e outras medidas severas de contenção até Julho, o PIB real na África deverá contrair 1,7% em 2020. Se essas medidas continuarem além do primeiro semestre de 2020, poderá haver uma contração mais profunda do PIB em 2020 de 3,4%. Cumulativamente, as perdas do PIB podem variar entre USD 173,1 biliões e USD 237 biliões em 2020/21.
Além disso, com uma contração de 1,7% do PIB, o emprego deverá diminuir em 24,6 milhões de empregos em 2020 e com uma contração de 3,4% do PIB, até 30 milhões empregos podem ser perdidos. O impacto será severo no sector informal, que representam mais da metade dos empregados.
O número da população em extrema pobreza na África foi projectado para atingir 425,2 milhões em 2020 sem surtos, mas a COVID-19 poderia aumentar esse indicador em 28 milhões. (Jornal “O País)
Canalizados 350 milhões de meticais para aquacultura no país
O Fundo de desenvolvimento da economia azul e a Empresa Aquapesca assinaram, no passado dia 10 de Julho, em Maputo, um acordo de financiamento no valor de 35 milhões de meticais visando o aumento dos níveis de produção do subsector da aquacultura que prevê alcançar 400 mil toneladas de vários produtos pesqueiros nos próximos dez anos.
Segundo descreve o jornal “O País”, a assinatura do acordo visa reforçar a cadeia de valor da aquacultura, através do aumento da capacidade produtiva, transferência de conhecimento técnico para as comunidades, e promoção do empreendedorismo local na produção do camarão e da tilápia em cativeiro no país.
A empresa aquapesca receptora do financiamento e com cerca e 25 anos de experiência na aquacultura pretende se tornar impulsionadora da pesca em cativeiro e diversificar espécies a produzir.
Por seu turno, o Presidente do Conselho de Administração do fundo de desenvolvimento de economia azul, Miguel Langa, disse que para além de financiar a aquacultura destaque que é necessário a sua profissionalização.
Inflacção anual desacelera pelo segundo mês consecutivo
A desaceleração da inflação anual, pelo segundo mês consecutivo, continua a ser explicada pela redução do preço dos combustíveis líquidos e o levantamento da cobrança do IVA sobre alguns bens essenciais, aliada à maior oferta de frutas e vegetais, publicou o Banco de Moçambique citando o Instituto Nacional de Estatística (INE).
Segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), citado pelo jornal “O País”, o país registou no fecho do primeiro semestre, uma deflação mensal de 0,55% face ao mês anterior. As divisões de alimentação e bebidas não alcoólicas, bem como de transportes, foram as de maior impacto, ao contribuírem no total da variação mensal com cerca de 0,43 e 0,13 pontos percentuais (pp) negativos, respectivamente.
Desagregando a variação mensal por produto, destaca-se a queda de preços do tomate (9,6%), gasolina (1,4%), açúcar castanho (7,9%), cebola (5,8%), gasóleo (3,1%), amendoim (3,1%) e da couve (4,6%).
No entanto, e de acordo ainda com o INE, alguns produtos contraíram a tendência da queda de preços, com destaque para os materiais diversos para manutenção e reparação da habitação (3,4%), batata-doce (16,6%), carapau (0,6%), cigarros (1%), o limão (23,4%), miudezas comestíveis de aves (2,5%) e o frango (0,3%), ao contribuírem com cerca de 0,11pp positivos.
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