BM decide manter taxas de juros

rogeriozandamela2O Comité de Política Monetária (CPMO) do Banco de Moçambique, decidiu, no dia 22 de Outubro de 2018, manter a taxa de juro de política monetária, taxa MIMO, em 15,0%. Decidiu, igualmente, manter as taxas da Facilidade Permanente de Depósitos (FPD) em 12,0% e da Facilidade Permanente de Cedência (FPC) em 18,0%, bem como o coeficiente de Reservas Obrigatórias (RO) para os passivos em moeda nacional em 14,0% e em moeda estrangeira em 27,0%.

De acordo com o Governador do BM, Rogério Zandamela, a decisão em relação à taxa MIMO é fundamentada pelo facto de a avaliação das perspectivas de curto e médio prazo continuar a indicar a manutenção da inflação em um dígito, em linha com as projecções anteriores. Não obstante, após mais de um ano de redução consistente da MIMO, face aos riscos domésticos elevados, associados à intensificação das incertezas na vertente externa, o CPMO considera que a postura de manutenção das taxas acima referidas é apropriada.

Para o BM, a inflação mantém-se baixa e estável. Informação referente a Setembro de 2018 indica que a inflação mensal, medida pela variação do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) de Moçambique foi de 0,11%. Esta cifra representa um abrandamento relativamente ao mês anterior e permitiu que a inflação anual se fixasse em 4,89%, face a 5,02% em Agosto e após 10,76% em Setembro de 2017. Este ligeiro abrandamento foi favorecido pela desaceleração dos preços dos bens alimentares, com destaque para as frutas e vegetais. Com efeito, a variação anual do IPC, excluindo frutas e vegetais, estabilizou em 5,30%, num cenário de aumento menos pronunciado dos preços dos bens administrados no mês de Setembro.

Porém, as condições actuais da economia nacional continuam a favorecer a projecção de uma inflação baixa e estável, em torno de um dígito, no curto e médio prazos, mas com riscos domésticos elevados, os quais, associados à intensificação das incertezas na vertente internacional, exigem prudência redobrada da política monetária.

Segundo o BM, a nível interno, mantém-se o risco associado à sustentabilidade da dívida pública, bem como às incertezas quanto à evolução dos preços dos bens administrados. Na componente externa, destacam-se os riscos associados ao recrudescimento da tensão comercial e geopolítica, bem como o fortalecimento do dólar americano e a oscilação dos preços das commodities no mercado internacional, com realce para o incremento do preço do crude.

O Metical volátil face ao Dólar

O Metical registou alguma volatilidade face ao Dólar. No período posterior à reunião do CPMO de 30 de Agosto, a taxa de câmbio do Metical face ao Dólar dos EUA seguiu uma tendência para depreciação, motivada pelo fortalecimento da moeda norte-americana no mercado internacional, perante alguma evidência de comportamento especulativo por parte de alguns agentes económicos, detentores de moeda estrangeira, aliada a uma maior procura de divisas no mercado doméstico. Assim, depois de 60,09 MZN em finais de Agosto, a taxa de câmbio média praticada pelos bancos comerciais com o público situou-se em 60,56 MZN no dia 19 de Outubro, após o pico de 61,52 MZN no dia 24 de Setembro. No mesmo período, a cotação do ZAR passou de 4,57 para 4,27 MZN.

Persiste a tendência para agravamento do défice da conta de bens. Com efeito, dados provisórios que reportam o III trimestre de 2018 mostram que o défice da conta de bens aumentou em USD 248 milhões. O aumento das importações em USD 706 milhões, relativamente ao mesmo período do ano passado, que suplantou o incremento das exportações, reflectiu maiores importações de maquinaria diversa, combustíveis, automóveis e alumínio bruto.

Reservas Internacionais estáveis

As Reservas Internacionais do Banco de Moçambique mantêm-se em níveis confortáveis. Após ter reduzido para USD 3.125,3 milhões no dia 31 de Agosto, o saldo das reservas internacionais brutas recuperou para USD 3.195,7 milhões, até à terceira semana de Outubro de 2018, cifra que permite cobrir 7 meses de importação de bens e serviços, excluindo as transacções dos grandes projectos.

Redução das taxas de juro a retalho

As taxas de juro a retalho continuam a reduzir, em linha com a queda da taxa MIMO, porém num cenário de crédito à economia ainda inexpressivo. Em Setembro, a prime rate do sistema bancário situou-se em 20,40%, após 21,75% no mês anterior e 27,25% em Dezembro último. Por seu turno, a taxa de juro média a retalho, para o prazo de um ano, reduziu de 24,57% em Julho para 23,20% em Agosto. Contudo, a evolução do crédito bancário ao sector privado foi praticamente nula, perante indícios de crédito malparado crescente, com a elevada liquidez bancária a refugiar-se em instrumentos do Mercado Monetário Interbancário e em títulos da dívida pública. Este cenário traduz os desafios estruturais que a economia moçambicana ainda enfrenta. De referir que entre Julho e Agosto a taxa de juro média de depósitos para o prazo de um ano caiu de forma expressiva, de 14,35% para 10,65%.

Aumento da dívida pública

A dívida pública interna aumentou ligeiramente. Dados mais recentes de Outubro indicam que o fluxo da dívida pública interna contraída com recurso a Bilhetes do Tesouro, Obrigações do Tesouro e adiantamentos do Banco de Moçambique aumentou, em termos acumulados, desde o último CPMO, em 2.079 milhões, passando o saldo para 107.460 milhões de meticais (o equivalente a 12,3% do PIB). Os montantes acima não tomam em consideração outros valores de dívida pública interna, tais como contractos mútuos e de locação financeira, assim como responsabilidades em mora.

A deterioração do clima económico

O clima económico deteriorou em Agosto, pelo terceiro mês consecutivo. A deterioração reflecte as perspectivas pessimistas das empresas em relação às expectativas de emprego e preços. Em termos sectoriais, a avaliação traduz o sentimento negativo dos agentes económicos dos sectores da produção industrial, da construção e do comércio, que se sobrepôs à avaliação positiva dos sectores de alojamento, restauração e dos transportes e armazenamento, no mesmo período.

A nível da economia internacional, acentuam-se os riscos de abrandamento da actividade económica, o que poderá ter impactos no desempenho da economia moçambicana. Embora o crescimento mundial se mantenha em ritmos elevados, aumentam os receios de um provável refreamento do crescimento das economias emergentes, em resultado do recrudescimento da tensão comercial entre as principais economias e focos de tensão geopolítica com impacto nos fluxos de comércio externo e no preço internacional do petróleo. Com efeito, o preço do barril do petróleo situou-se em USD 80,13 no fecho do dia 19 de Outubro de 2018, contra os USD 57,4 no mesmo período de 2017.

O CPMO prometeu continuar a monitorar os indicadores económico-financeiros e os factores de risco, e não hesitará em tomar as medidas correctivas necessárias antes da próxima reunião do órgão, agendada para o dia 13 de Dezembro de 2018.

Texto: Benjamim Chabualo - AMB

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