Banco de Moçambique reduz taxas de juros e apresenta perspectiva económica

zandamelafim2017O Comité de Política Monetária (CPMO) do Banco de Moçambique, reunido no dia 11 de Abril de 2018, decidiu reduzir a taxa de juro de política monetária, taxa MIMO, em 150 pontos base, para 16,5% contra 18,0% da última descida em Fevereiro.

Adicionalmente, reduziu a taxa da Facilidade Permanente de Cedência (FPC) em 100 pontos base, para 18,0% contra 19% anteriores, tendo mantido tanto a taxa da Facilidade Permanente de Depósitos (FPD) em 12,5% como o coeficiente de Reservas Obrigatórias (RO) para os passivos em moeda nacional em 14,0%, e em moeda estrangeira em 22%.

Em comunicado de Imprensa, o CPMO disse que continuará a monitorar os indicadores económico-financeiros e os factores de risco, e poderá tomar as medidas correctivas necessárias antes da próxima reunião do órgão, agendada para o dia 20 de Junho de 2018.

O comportamento favorável do indicador de inflação, aliado ao facto de as projecções para o final do presente ano indicarem que a mesma se situará em torno de um dígito, justifica a manutenção do ciclo de redução das taxas de juro pelo CPMO, iniciado em Abril de 2017.

A inflação, medida pela variação do Índice de Preços no Consumidor de Moçambique, mantém-se baixa, em torno de 3,0%, contra 21,6% em igual período de 2017. Entretanto, em termos mensais, observou-se no mês em referência um incremento do nível geral de preços em 0,97%, a reflectir fundamentalmente o ajustamento em alta dos preços dos produtos administrados, nomeadamente a tarifa dos transportes semi-colectivos urbanos e suburbanos (21,2%), e o preço da gasolina (1,5%) e do gasóleo (8,3%), o que, combinado com o aumento do preço do carvão vegetal (3,8%), contribuiu em 81 pontos base para a variação mensal registada no período. No entanto, excluindo os preços das frutas e vegetais e os produtos administrados, manteve-se a tendência de desaceleração da inflação anual, ao situar-se em 1,34%, após 2,07% em Fevereiro de 2018.

Em Fevereiro, o Índice do Clima Económico, que é um indicador dianteiro da actividade económica, melhorou pelo sexto mês consecutivo. Este comportamento continua a reflectir o optimismo dos empresários inquiridos quanto às perspectivas de emprego e procura, podendo sinalizar melhoria da actividade económica no primeiro trimestre do corrente ano.

O mercado cambial doméstico regista uma redução da pressão cambial, em resultado das recentes medidas de política tomadas pelo Banco de Moçambique. Depois de ter atingido o pico de 62,92 MZN/USD no dia 15 de Março, a taxa de câmbio média praticada pelos Bancos Comerciais com o público situou-se em 60,98 MZN/USD no dia 10 de Abril. No mesmo período, a cotação do ZAR passou de 5,30 MZN para 5,05 MZN.

A liquidez restrita do sistema bancário manteve a tendência para redução, num contexto em que o crédito à economia permaneceu estagnado. Desde o último CPMO, realizado em Fevereiro, o Banco de Moçambique intensificou o accionamento dos instrumentos dos mercados interbancários que, a par da emissão de Obrigações do Tesouro, contribuiu para a contracção das reservas livres dos bancos comerciais. Dados de Fevereiro mostram que, em termos anuais, o crédito bancário ao sector privado mantém a tendência para estagnação.

As taxas de juro no Mercado Monetário Interbancário consolidam a tendência para redução, traduzindo-se numa mudança da inclinação da curva de rendimentos. As taxas de juro das operações para prazos acima de um dia (reverse repo e Bilhetes do Tesouro) continuaram a cair, tendo-se situado abaixo da taxa MIMO, resultando numa inclinação negativa da curva de rendimentos, facto que sinaliza a confiança do mercado na queda da inflação, em linha com as perspectivas do Banco de Moçambique.

As Reservas Internacionais do Banco de Moçambique continuam em níveis confortáveis. Não obstante as vendas efectuadas pelo Banco de Moçambique no mercado cambial, essencialmente para combustíveis, e o pagamento do serviço da dívida pública externa, o saldo das reservas internacionais brutas situou-se em USD 3.260 milhões em finais do primeiro trimestre, cifra suficiente para cobrir 7,2 meses de importações de bens e serviços, excluindo as transacções dos grandes projectos.

O CPMO continua a manter prudência na condução da política monetária, tendo em conta os riscos subjacentes às perspectivas de inflação.

A nível interno, mantém-se o risco associado à sustentabilidade da dívida pública, bem como as incertezas quanto à evolução dos preços dos bens administrados. Dados recentes indicam que o endividamento público incrementou para 107.823 milhões de MZN em Março, após 104.697 milhões de MZN em Fevereiro de 2018. Na componente externa, destacam-se os riscos associados às recentes manifestações de proteccionismo no comércio internacional, bem como à volatilidade do USD e dos preços das commodities no mercado internacional.

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