Anadarko fecha negócio do gás do Rovuma

petroleorussoA Anadarko Petroleum Corporation (NYSE: APC) anunciou, no dia 20 de Fevereiro de 2018, que a Moçambique LNG1 Company Pte. Ltd., entidade de vendas conjunta dos parceiros da Área 1 de Moçambique, celebrou um Contrato de Compra e Venda de GNL (CCV) de longo prazo com a Électricité de France, S.A., (EDF).

O acordo prevê o fornecimento de 1,2 milhões de toneladas por ano (MTPA) por um período de 15 anos.

“A EDF é uma das maiores empresas de electricidade do mundo, e celebrar este CCV é a continuação da validação da posição de GNL de Moçambique como um fornecedor competitivo de GNL de longo prazo e como um dos principais novos projectos mundiais”, disse Mitch Ingram, VicePresidente Executivo da Anadarko para Operações Internacionais e de Águas Profundas e Gestão de Projectos.

“O GNL de Moçambique é singular dada a sua capacidade de fornecer o GNL a uma variedade de locais geográficos para servir os seus clientes, e este CCV oferece-nos acesso flexível à Europa, que é um dos nossos principais mercados estratégicos. A venda à EDF está incluída na carteira de vendas de mais de 5 MTPA, para a qual aprovamos os termos-chave, e continuamos a preparar acordos adicionais. Prevemos que o desenvolvimento futuro de GNL de Moçambique abrirá novas oportunidades para o país e servirá como uma plataforma de crescimento para o seu contínuo desenvolvimento”, acresecentou.

O Projecto Mozambique LNG, operado pela Anadarko, será o primeiro projecto de GNL de Moçambique, em terra, que consistirá, inicialmente, em duas fábricas de GNL com capacidade total de 12,88 MTPA para apoiar o desenvolvimento dos campos Golfinho/Atum localizados inteiramente na Área 1.

A Anadarko Moçambique Área 1, Lda, subsidiária integral da Anadarko Petroleum Corporation, opera a Área Offshore 1 com uma participação de 26,5%.

O empreendimento inclui os parceiros ENH Rovuma Área Um, S.A. (15 por cento), Mitsui E & P Moçambique Área 1 Ltd. (20 por cento), ONGC Videsh Ltd. (10 por cento), Beas Rovuma Energy Moçambique Limited (10 por cento), BPRL Ventures Mozambique BV (10 por cento) e PTTEP Moçambique Área 1 Limited (8,5 por cento).

A missão da Anadarko Petroleum Corporation é oferecer uma taxa de retorno competitiva e sustentável aos accionistas explorando, adquirindo e desenvolvendo recursos de petróleo e gás natural vitais para a saúde e o bem-estar do mundo.

Desde do final do ano de 2017, a empresa tinha aproximadamente 1,44 bilhões de barris - equivalente a reservas certificadas, tornando-se uma das maiores empresas independentes de exploração e produção do mundo.

Jornal Mercados, 21/02/2018

Banca Comercial acelera a Inclusão Financeira em Moçambique

maxixeRegista-se no país, uma tendência crescente dos indicadores de inclusão financeira no território nacional mercê das políticas lançadas pelo Governo e das acções dos bancos comerciais.

Segundo dados anunciados pelo Banco de Moçambique referentes ao 1º relatório da Estratégia Nacional de Inclusão Financeira, quando se lançou o desafio de bancarização da economia em 2007, o sistema bancário Moçambicano contava com 274 balcões de bancos, 431 ATM´s e 3.645 POS´s. Até Novembro de 2017, existiam 646 balcões, 1.737 ATM´s e 27.841 POS´s em todo o território nacional.

Estes dados foram apresentados pelo Banco de Moçambique, no dia 13 de Fevereiro de 2018, durante a cerimónia de inauguração dum dos balcões do BIM na baixa da Cidade de Maputo que passou a contar com 219 balcões de bancos, o que representa cerca de 34% do total do país, contra os cerca de 122 balcões em 2007 que representavam cerca de 45% do total de balcões que existiam no país.

Na ocasião, o BM anunciou que, através de diferentes instrumentos, continua o encorajamento e o estímulo sobre a expansão da rede bancária e dos pontos de acesso aos produtos e serviços financeiros. É neste âmbito que em 2007 foi lançada a estratégia de bancarização da economia, que contempla um conjunto de medidas e acções, sendo de destacar, para além do relaxamento dos condicionalismos para a abertura e o estabelecimento de uma agência bancária nas zonas rurais, o incentivo à maximização das virtualidades que as tecnologias de informação e comunicação proporcionam.

Recordou ainda que no dia 6 de Julho de 2016 foi lançada a Estratégia Nacional de Inclusão Financeira, um instrumento orientador que se enquadra no âmbito da Estratégia de Desenvolvimento do Sector Financeiro aprovada pelo Governo em Abril de 2013.

A expectativa do governo é que a banca comercial continue a disponibilizar produtos e serviços de qualidade e cada vez mais próximos dos seus destinatários, o que passa por uma maior aposta na criatividade, na inovação e na advocacia, porquanto a educação financeira e a protecção do consumidor constituem um dos pilares da Estratégia Nacional de Inclusão Financeira.

Assim, o BM apelou aos bancos que operam no território nacional para que intensifiquem a promoção de campanhas de educação financeira, onde se explique aos cidadãos conceitos bancários básicos, formas correctas de usar e guardar o Metical, as vantagens do uso dos serviços bancários recorrendo às facilidades proporcionadas pelas tecnologias de informação e comunicação, entre outros aspectos.

Com estas acções induzir-se-ão mudanças nos hábitos do cidadão que muitas vezes permanece em longas filas para levantar numerário no ATM para de seguida entrar num estabelecimento comercial efectuar transacções com dinheiro físico enquanto tem POS para o efeito.

Texto: Benjamim Chabualo, Assessor de Comunicação e Imagem da AMB

FMI mantém previsão de crescimento do PIB em 5,3%

fmiO Fundo Monetário Internacional (FMI) mantém a previsão real do crescimento do roduto Interno Bruto (PIB) em 5,3%, para este ano de 2018, um contraste com a última revisão do Banco Mundial que cortara em baixa para 3,2%.

Este novo indicador do FMI está patente na página oficial (site) desta instituição financeira internacional, actualizada a 6 de Fevereiro de 2018. A taxa de inflação também mantém-se nos dois dígitos, cerca de 10,5%.

Sobre o escândalo das chamadas “dívidas ocultas”, contraídas no último mandato presidencial de Armando Guebuza, o FMI vê os últimos desenvolvimento da justiça moçambicana passos encorajadores para assegurar a responsabilidade.

No entanto, de forma mais geral, a instituição reitera a necessidade de se preencher as lacunas de informação no relatório de auditoria de Ematum Proindicus e MAM.

“O ponto aqui é que queremos a responsabilização pública dos autores, mas em termos de acusação, cabe ao promotor, não nos envolvemos no processo públicos”, sublinha.

De lembrar que a revisão em baixa da previsão de crescimento económico em Moçambique este ano para 3,2%, o que significa um corte de 2,9 pontos percentuais face às previsões de Junho, foram feitas pelo Banco Mundial a 10 de Janeiro deste 2018.

Na altura, esta instituição apontara os custos de servir a dívida continuarem insustentáveis em Moçambique, salientando a necessidade de o Governo manter os seus esforços de mobilização da receita interna e de racionalização da despesa pública.

Os peritos anteciparam que Moçambique tenha crescido 3,1% no ano passado, e que vá crescer 3,2% este ano e 3,4% nos dois anos seguintes, o que representa uma revisão em baixa de 1,7 pontos para 2017 e de 3,3 pontos percentuais para a previsão de crescimento para 2020.

O relatório faz várias referências a Moçambique, salientando a alta dívida pública e o fortalecimento do Metical devido ao aumento das exportações. Jornal Encontro, Ed. Nº 460, 07/02/2018

Garantias de Moçambique sobre dívida oculta não convencem à EIU

dolarA Economist Intelligence Unit (EIU) considerou, no dia 5 de Fevereiro do ano em curso, que “não é particularmente convincente” a estratégia de Moçambique de mostrar que quer punir efectivamente os responsáveis nacionais pelas dívidas ocultas do Estado.

Numa análise ao recente pedido de responsabilização financeira dos gestores públicos e das empresas do Estado que contraíram uma dívida oculta de dois mil milhões de dólares entre 2013 e 2014, enviada aos investidores e a que a Lusa teve acesso e publicado no jornal “Mercados” os analistas mostram-se descrentes num desfecho positivo.

“A acção legal da PGR é pequena com um foco muito limitado”, escrevem os analistas, lembrando que “o antigo ministro das Finanças, Manuel Chang, que foi identificado pela Kroll como o signatário das garantias soberanas ilegais, não está incluído na ação da PGR”.

De resto, acrescentam os analistas, “nem a antiga secretária permanente do Ministério das Finanças, Isaltina Lucas, actualmente vice-ministra das Finanças, que, segundo a Kroll, é suspeita de ter ajudado a que os empréstimos fugissem ao escrutínio do FMI”.

Para os analistas da Economist, “mesmo que as acções legais se tornem mais agressivas, é duvidoso que isso satisfaça o FMI e os outros doadores”. Isto porque, concluem os analistas, “as dúvidas sobre a independência das instituições públicas em Moçambique, incluindo o poder judicial, tornam improvável que o FMI abrande as suas exigências de transparência, mesmo que as futuras investigações da PGR levem a declarações sobre a identificação dos beneficiários dos empréstimos”.

A dívida de dois mil milhões de dólares - num episódio conhecido como escândalo da dívida oculta - foi contraída em 2013 e 2014, durante a presidência de Armando Guebuza, por três empresas públicas detidas pelo Serviço de Informações e Segurança do Estado (SISE): a Ematum, supostamente dedicada a uma frota de pesca, a Proindicus, de segurança e vigilância marítima, e a MAM, ligada à manutenção naval.

Uma auditoria da consultora internacional Kroll pedida pela PGR e divulgada em Junho do ano passado, descreve as firmas como uma fachada, sem planos de gestão credíveis, e implica vários detentores de cargos públicos em todo o processo, sem os nomear. A Kroll queixa-se ainda de lhe ter sido negado acesso a informação relevante para perceber para onde foi o dinheiro, sob justificação de ser material sensível relativa à segurança do Estado.

Este caso levou ao corte do financiamento externo por parte do FMI e dos doadores internacionais e a uma descida dos ‘ratings’ atribuídos ao país, no seguimento do incumprimento financeiro do Estado sobre a emissão de dívida soberana e sobre os empréstimos destas empresas.

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