Banco de Moçambique reforça Estratégia de Inclusão Financeira

bmfsdmo.jpgNo âmbito de implementação da Estratégia de Inclusão Financeira lançada em 2016, pelo Presidente da República, Filipe Nyusi, o Banco de Moçambique (BM) e o FSDMoç procederam, no dia 17 de Mio de 2018, na Cidade de Maputo, o lançamento do projecto de incubadora Sandbox para tenologias financeiras (FinTechs), um ponto de excelência para a criação de condições de interacção entre o BM e as FinTechs.

Segundo o Governador do Banco de Moçambique, Rozário Zandamela que procedeu ao lançamento do projecto de incubadora Sandbox, a iniciativa tem como objectivos, promover a inovação e mitigar o impacto derivados das incertezas legais e regulatória, contribuir com serviços e produtos de pagamento inovadores e cómodos, criar oportunidades para o desenvolvimento, testagem e demonstração de produtos em ambiente supervisionado e criar condições para aprendizagem e divulgação de ideias inovadoras, com especial enfoque nas tenologias financeiras.

O Governador do BM disse que o ambiente digital que está sendo criado no sistema de pagamentos irá afectar positivamente a vida da população moçambicana, principalmente, a mais desfavorecida e com rendimentos mais modestos, que passará a ter a oportunidade de realizar transacções financeiras a custos, relativamente, baixos.

Segundo a fonte, o projecto que conta com o financiamento do governo britânico, trata-se dum dos primeiros Sandbox em África a ser estabelecido dentro dum Banco Central e é relevante por criar um ambiente propício para a expansão dos serviços financeiros com a finalidade de servir a pessoas excluídas.

Numa primeira fase, a iniciativa irá beneficiar as empresas iniciantes (start-ups) previamente, selecionadas seguindo-se por um processo de selecção competitiva entre as FinTechs.

O evento que foi presenciado pelo Presidente da Direcção da Associação Moçambicana de Bancos, Dr Teotónio Comiche, contou ainda coma participação dos membros do Conselho de Administração do BM, representantes de instituições de crédito e sociedades financeiras e quadros do Instituto de Supervisão de seguros de moçambique, do Instituto nacional de comunicações de Moçambique, do SIMO, entre outros.

Crescimento de Moçambique revisto em baixa para 3% e mundial em 3.9% este ano

fmiDe acordo com o relatório Previsões Económicas Mundiais (‘World Economic Outlook’, no original em inglês), divulgado no dia 17 de Abril de 2018, na sede da instituição, em Washington, citado pela Lusa, a estimativa para o crescimento da economia moçambicana representa uma revisão em baixa face aos 5,3% que o FMI esperava, em Outubro do ano passado, que Moçambique crescesse este ano.

Também para 2023, ano em que se espera que os megaprojectos na área do gás natural comecem a gerar receitas avultadas, o FMI reviu em baixa o crescimento previsto, de 14% para 9,9%.

Segundo a Lusa, o FMI espera que a economia mundial cresça 3,9% este ano, melhorando uma décima face aos 3,8% de crescimento de 2017, ano que registou o maior crescimento desde 2011.

“O crescimento mundial fortaleceu-se em 2017 para 3,8%, com uma recuperação notável do comércio mundial, e foi liderado pela recuperação do investimento nas economias avançadas, pela manutenção do crescimento forte na Ásia, uma notável aceleração na Europa emergente, e sinais de recuperação em vários exportadores de matérias-primas”, lê-se nas Previsões hoje divulgadas.

No documento, divulgado no arranque dos Encontros da Primavera, organizados anualmente em conjunto com o Banco Mundial, lê-se que “o crescimento mundial deve aumentar 3,9% este ano e no próximo, apoiado por um fôlego forte, pelo sentimento favorável nos mercados, pelas condições financeiras acomodatícias e pelas repercussões internas e externas da política orçamental expansionista dos Estados Unidos”.

A “recuperação parcial” dos preços das matérias-primas, acrescenta o FMI, deve permitir aos países exportadores melhorarem a sua economia gradualmente, apesar de o FMI prever que, a médio prazo, o crescimento mundial decline para 3,7%.

Ainda que o crescimento para 2018 e 2019 esteja ao nível mais alto desta década, os técnicos do FMI alertam para a falta de garantias de que a aceleração se mantenha.

“Os riscos ascendentes e descendentes [que podem influenciar as previsões para cima ou para baixo] são equilibrados nos próximos trimestres, mas mais à frente tendem para a parte descendente”, lê-se no documento.

“Com as condições financeiras ainda facilitadas e a inflação persistentemente baixa, o que obrigou uma acomodação de política monetária mais prolongada, a acumulação de vulnerabilidades financeiras pode originar um rápido aperto nas condições financeiras, com impacto na confiança e no crescimento”, acrescentam os peritos do FMI.

Por isso, “o panorama actualmente favorável oferece uma janela de oportunidade para as políticas e as reformas que protejam o sentimento positivo e aumentem o crescimento a médio prazo para benefício de todos”.

Assim, defendem a criação de “folgas orçamentais que ajudem a lidar mais eficazmente com o próximo ciclo negativo, melhorando a resiliência financeira para conter os riscos dos mercados financeiros e fomentar a cooperação internacional”.

Banco de Moçambique reduz taxas de juros e apresenta perspectiva económica

zandamelafim2017O Comité de Política Monetária (CPMO) do Banco de Moçambique, reunido no dia 11 de Abril de 2018, decidiu reduzir a taxa de juro de política monetária, taxa MIMO, em 150 pontos base, para 16,5% contra 18,0% da última descida em Fevereiro.

Adicionalmente, reduziu a taxa da Facilidade Permanente de Cedência (FPC) em 100 pontos base, para 18,0% contra 19% anteriores, tendo mantido tanto a taxa da Facilidade Permanente de Depósitos (FPD) em 12,5% como o coeficiente de Reservas Obrigatórias (RO) para os passivos em moeda nacional em 14,0%, e em moeda estrangeira em 22%.

Em comunicado de Imprensa, o CPMO disse que continuará a monitorar os indicadores económico-financeiros e os factores de risco, e poderá tomar as medidas correctivas necessárias antes da próxima reunião do órgão, agendada para o dia 20 de Junho de 2018.

O comportamento favorável do indicador de inflação, aliado ao facto de as projecções para o final do presente ano indicarem que a mesma se situará em torno de um dígito, justifica a manutenção do ciclo de redução das taxas de juro pelo CPMO, iniciado em Abril de 2017.

A inflação, medida pela variação do Índice de Preços no Consumidor de Moçambique, mantém-se baixa, em torno de 3,0%, contra 21,6% em igual período de 2017. Entretanto, em termos mensais, observou-se no mês em referência um incremento do nível geral de preços em 0,97%, a reflectir fundamentalmente o ajustamento em alta dos preços dos produtos administrados, nomeadamente a tarifa dos transportes semi-colectivos urbanos e suburbanos (21,2%), e o preço da gasolina (1,5%) e do gasóleo (8,3%), o que, combinado com o aumento do preço do carvão vegetal (3,8%), contribuiu em 81 pontos base para a variação mensal registada no período. No entanto, excluindo os preços das frutas e vegetais e os produtos administrados, manteve-se a tendência de desaceleração da inflação anual, ao situar-se em 1,34%, após 2,07% em Fevereiro de 2018.

Em Fevereiro, o Índice do Clima Económico, que é um indicador dianteiro da actividade económica, melhorou pelo sexto mês consecutivo. Este comportamento continua a reflectir o optimismo dos empresários inquiridos quanto às perspectivas de emprego e procura, podendo sinalizar melhoria da actividade económica no primeiro trimestre do corrente ano.

O mercado cambial doméstico regista uma redução da pressão cambial, em resultado das recentes medidas de política tomadas pelo Banco de Moçambique. Depois de ter atingido o pico de 62,92 MZN/USD no dia 15 de Março, a taxa de câmbio média praticada pelos Bancos Comerciais com o público situou-se em 60,98 MZN/USD no dia 10 de Abril. No mesmo período, a cotação do ZAR passou de 5,30 MZN para 5,05 MZN.

A liquidez restrita do sistema bancário manteve a tendência para redução, num contexto em que o crédito à economia permaneceu estagnado. Desde o último CPMO, realizado em Fevereiro, o Banco de Moçambique intensificou o accionamento dos instrumentos dos mercados interbancários que, a par da emissão de Obrigações do Tesouro, contribuiu para a contracção das reservas livres dos bancos comerciais. Dados de Fevereiro mostram que, em termos anuais, o crédito bancário ao sector privado mantém a tendência para estagnação.

As taxas de juro no Mercado Monetário Interbancário consolidam a tendência para redução, traduzindo-se numa mudança da inclinação da curva de rendimentos. As taxas de juro das operações para prazos acima de um dia (reverse repo e Bilhetes do Tesouro) continuaram a cair, tendo-se situado abaixo da taxa MIMO, resultando numa inclinação negativa da curva de rendimentos, facto que sinaliza a confiança do mercado na queda da inflação, em linha com as perspectivas do Banco de Moçambique.

As Reservas Internacionais do Banco de Moçambique continuam em níveis confortáveis. Não obstante as vendas efectuadas pelo Banco de Moçambique no mercado cambial, essencialmente para combustíveis, e o pagamento do serviço da dívida pública externa, o saldo das reservas internacionais brutas situou-se em USD 3.260 milhões em finais do primeiro trimestre, cifra suficiente para cobrir 7,2 meses de importações de bens e serviços, excluindo as transacções dos grandes projectos.

O CPMO continua a manter prudência na condução da política monetária, tendo em conta os riscos subjacentes às perspectivas de inflação.

A nível interno, mantém-se o risco associado à sustentabilidade da dívida pública, bem como as incertezas quanto à evolução dos preços dos bens administrados. Dados recentes indicam que o endividamento público incrementou para 107.823 milhões de MZN em Março, após 104.697 milhões de MZN em Fevereiro de 2018. Na componente externa, destacam-se os riscos associados às recentes manifestações de proteccionismo no comércio internacional, bem como à volatilidade do USD e dos preços das commodities no mercado internacional.

AMB melhor Associação empresarial de 2017


Premiocta20171A Associação Moçambicana de Bancos (AMB) foi distinguida pela Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) como a melhor Associação Empresarial de 2017 pelo seu empenho e organização na concretização da sua missão de promoção e prática de actos que contribuem para o progresso técnico, económico e social da actividade bancária moçambicana e segurança do consumidor.

A distinção teve lugar no dia 12 de Março de 2018, durante o jantar da XV Conferência Anual do Sector Privado (CASP)

Durante a XV Conferência Anual do Sector Privado, a CTA e seus parceiros assumiram compromissos tendentes à melhoria do ambiente de negócios em Moçambique. O primeiro e o mais importante compromisso, foi assumido com o Governo, através da assinatura de um Memorando de Entendimento sobre a Matriz de Prioridades de Reformas para 2018. Foi a primeira vez que no actual modelo do Diálogo Público-Privado, o Memorando sobre a Matriz de Reformas é assinado na CASP diante do Chefe de Estado.

Durante os debates da XV CASP, os empresários propuseram a criação de fundo de garantia financeira pelo facto das Pequenas e Médias Empresas queixarem-se de falta de acesso ao financiamento facto que fez com que a CTA agendasse nos temas da XV Conferência Anual do Sector Privado os ‘Mecanismos de Facilitação de Financiamento ao Sector Privado’, visando encontrar formas alternativas de financiamento.

O vice-presidente da Política Financeira da CTA, Oldemiro Belchior, disse ser necessária uma actuação firme com vista a busca de soluções para alavancar o sector empresarial e flexibilizar o financiamento através de linhas de crédito bonificado.

Por outro lado, sugeriu a diversificação de fontes de investimento, partilha de riscos com instituições bancárias e criação de fundo de garantia financeira ao sector privado, para promover o acesso ao financiamento bancário.

Para a classe empresarial, o fundo de garantia financeira poderia destinar-se aos sectores-chave para o desenvolvimento como a Agricultura, Indústria, Energia, Construção, Comércio e Transporte. E as instituições que forem submeter o financiamento deveriam apresentar requisites como a ausência de irregularidades fiscais, apresentar planos de negócios e contabilidade credíveis, entre outros importantes que permitam que se analisem os riscos.
Também defendeu a capacitação das PME para poderem submeter candidaturas credíveis no pedido de financiamento.

Defendeu igualmente a existência de uma garantia múltipla, que seria um capital social detido por empresas privadas, bancos comerciais, associações empresariais e o Estado.

Por seu turno, Yussuf Daya, do AFRIXIMBANK, disse acreditar na contribuição positiva do sector privado para o desenvolvimento de Moçambique e falou dos financiamentos da sua instituição para o comércio e desenvolvimento de África. Mas porque todo investimento tem riscos, a Directora de Projectos para Agricultura, Educação e Sectores Financeiros da AFD, Olívia Falanga, falou da necessidade de se partilhar os riscos para garantia de financiamento ao sector privado.

Já Tomas Matola, do BNI, falou dos financiamentos existentes na sua instituição, para Pequenas e Médias Empresas. Matola falou de incubadores de negócio, que visam permitir que produtores se tornem formais e reúnam requisitos para aceder ao financiamento. Abordou a questão da capacitação, tendo sugerido criação de programas de literacia financeira para os gestores das PME, para que tenham capacidade de avaliar outras alternativas de financiamento.

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