Banco Mundial diz que Moçambique acelerou na redução da pobreza

carvaoNo seu mais recente estudo sobre a economia moçambicana, o Banco Mundial reitera que o país deve diversificar as suas fontes de crescimento (agora dependente da indústria extractiva). Sobre a pobreza, a instituição refere que há um aumento do ritmo da redução deste indicador.

A informação foi avançada, no dia 8 de Janeiro de 2019, em Maputo, pelo pesquisador Sam Jones, da Universidade das Nações Unidas, durante a conferência anual sobre o crescimento inclusivo em Moçambique.

“Moçambique aumentou o ritmo de redução da pobreza”, este é um dos destaques da mais recente avaliação do Banco Mundial sobre o país, que mais uma vez, volta a insistir na mesma tecla, ou seja, reduzir a forte dependência na indústria extractiva como fonte de desenvolvimento económico.

Para esta instituição financeira internacional da Bretton Woods, “a economia moçambicana tem vindo a sofrer uma transição estrutural gradual em sentido positivo”, situação que impulsionou o rendimento per capita, estabeleceu a produtividade como o motor do crescimento nos últimos anos e aumentou o ritmo da redução da pobreza.

Porém, o estudo do Banco Mundial identifica potenciais riscos futuros consideráveis a nível macroeconómico, nomeadamente um cenário de preços mais baixos para as principais commodities de exportações (carvão, alumínio e tabaco), sobretudo se as importações voltarem a subir.

“Uma recuperação na procura de importações, se não for acompanhada por um melhor desempenho nas exportações de sectores-chave, como agricultura e energia, e um aumento no investimento, provavelmente aumentará as necessidades de financiamento externo da economia e aumentará a pressão sobre as reservas do Banco Central”, refere o estudo citado pelo Macauhub.

Lembrando, que a indústria extractiva tem estado a impulsionar a economia de Moçambique e ainda o fará mais com o início da exploração de gás natural em 2023, mas o país precisa de um modelo de crescimento mais amplo.

“As indústrias extractivas não serão suficientes. Um foco intensivo e ambicioso na obtenção de diversificação, aumentando a produtividade rural e proporcionando um acesso mais generalizado aos serviços nos esforços nacionais de desenvolvimento é essencial para o crescimento inclusivo”, adianta.

No início de 2018, Moçambique obteve a decisão final de investimento para o desenvolvimento do projecto de gás natural Coral Sul, na bacia do Rovuma, que deverá entrar em produção em 2023.

O Banco Mundial aponta ainda que Moçambique começa agora “a emergir de um período de elevada volatilidade macroeconómica”, dois anos após as revelações das “dívidas ocultas” terem desencadeado uma recessão económica significativa.

O actual período é caracterizado pela estabilidade do Metical, que ajudou a reduzir a inflação de 26% no seu pico em Novembro de 2016 para pouco mais de 5% até Agosto de 2018, enquanto um rápido aumento nas exportações de carvão ao longo de 2017, equivalente a 7% do Produto Interno Bruto (PIB), apoiou uma melhoria na balança comercial e a recuperação das reservas do Banco Central para sete meses de cobertura de importações.

O crescimento económico tem vindo a abrandar para a casa de 3%, abaixo dos 8% em média na década anterior, com uma diminuição da procura privada, especialmente nos serviços, que foi o maior impulsionador do crescimento nos anos anteriores à crise económica, reflectindo a redução no poder de compra do consumidor, especialmente para as famílias cujos rendimentos não acompanharam a subida de preços. (O País, 08/01/2019)

País fechou 2018 com inflação na ordem de 3,52%

preosmercadoOs preços aceleraram de Janeiro a Dezembro de 2018, de acordo com o Instituto Nacional de Estatísticas (INE) citado pelo “O Pais”. Segundo a fonte, o aumento dos preços esteve na ordem dos 3,52%.

No ano passado, as políticas públicas em relação aos transportes sofreram várias alterações, aliás, foi no ano transacto que o Presidente da República, Filipe Nyusi, entregou mais de 200 autocarros para operadores privados e públicos distribuídos por todas as capitais provinciais.

Foi precisamente a divisão dos transportes, o principal responsável pela tendência geral de aumento de preços de Janeiro a Dezembro do ano passado, comparticipando com aproximadamente 1,83 pontos percentuais (pp) positivos, revelou o INE, analisadas nas cidades de Maputo, Beira e Nampula.

Desagregando os valores da divisão de transportes, destaca-se a subida dos preços dos transportes semi-colectivos urbanos e suburbanos de passageiros, da gasolina, do gasóleo, do carvão vegetal, assim como os veículos automóveis ligeiros em segunda mão, acrescentando-se o vinho, como os que mais registaram aceleração da inflação de Janeiro a Dezembro de 2018, estimando-se em cerca de 2,46 pontos percentuais positivos.

“Ao longo do ano de 2018, verificou-se uma tendência de aumento ligeiro de preços com excepção dos meses de Junho e Julho”, diz o INE, acrescentando que “os dados respeitantes a estes dois meses revelam quedas ligeiras de preços na ordem de 0,12% e 0,18% respectivamente.

Para justificar estas quedas ligeiras de preços, o Instituto Nacional de Estatística diz que foram “influenciadas pela queda dos preços do tomate, coco, alface, couve, repolho e peixe fresco”.

Quanto ao último mês do ano passado (Dezembro), o país registou uma inflação mensal de 0,37%, influenciadas pela divisão de alimentação e bebidas não alcoólicas que registaram um aumento de 1,27%.

Banco de Moçambique baixa taxas de referência

metical262018O Comité de Política Monetária (CPMO) do Banco de Moçambique, reunido no dia 13 de Dezembro de 2018, decidiu reduzir a taxa de juro de política monetária, taxa MIMO, em 75 pontos base (pb), para 14,25%. Decidiu, igualmente, reduzir em 75 pb as taxas da Facilidade Permanente de Depósitos (FPD) e da Facilidade Permanente de Cedência (FPC) para 11,25% e 17,25%, respectivamente, bem como manter os coeficientes de Reservas Obrigatórias (RO) para os passivos em moeda nacional e em moeda estrangeira em 14% e 27%, respectivamente.

Segundo o comunicado do BM, a decisão de retomar a revisão em baixa da taxa MIMO é fundamentada pelo facto de a informação disponível e as perspectivas de curto e médio prazo confirmarem a manutenção da inflação em um dígito, em linha com as projecções anteriores.

Em face de subsistirem riscos associados à sustentabilidade da dívida pública, bem como às incertezas quanto à evolução dos preços dos bens administrados, o BM assegura que vai continuar a monitorar os indicadores económico-financeiros e os factores de risco, e não hesitará em tomar as medidas correctivas necessárias antes da próxima reunião do órgão, agendada para o dia21de Fevereiro de 2019.

Quanto a análise da economia, o BM constatou um abrandamento da inflação anual pelo terceiro mês consecutivo.

De acordo com o Instituto Nacional de Estatística (INE), citado pelo BM, a inflação mensal, medida pela variação do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) de Moçambique, foi de 0,27% em Novembro, após 0,07% no mês anterior. Tal traduziu-se numa inflação anual de 4,27% em Novembro, mantendo-se o abrandamento iniciado em Setembro de 2018, quando esta se situou em 4,89%. Esta descompressão foi favorecida pelo menor crescimento anual dos preços dos bens alimentares e dos combustíveis líquidos.

O nível de actividade económica continua baixo. Segundo dados publicados pelo INE, o PIB real cresceu 3,2% no terceiro trimestre de 2018, impulsionado pelos sectores da indústria extractiva, agricultura e comércio. Entretanto, o indicador de clima económico referente ao mês de Outubro aponta para um sentimento optimista quanto à actividade económica, após sucessivos meses de avaliação pessimista registada desde Maio do corrente ano. A reversão do sentimento reflecte a avaliação dos empresários dos sectores da indústria, comércio, transportes, alojamento e restauração, contrariada pelo pessimismo dos empresários do sector da construção.

O Metical registou uma ligeira depreciação nominal face ao Dólar dos EUA. No período posterior à reunião do CPMO de 22 de Outubro, a taxa de câmbio do Metical face ao Dólar dos EUA manteve uma tendência para depreciação, motivada pelo fortalecimento da moeda dos EUA no mercado internacional e por uma maior procura de divisas no mercado doméstico. Assim, depois de 60,61 MZN em finais de Outubro, a taxa de câmbio média praticada pelos bancos comerciais com o público situou-se em 61,48 MZN no dia 12 de Dezembro. No mesmo período, a cotação do ZAR passou de 4,18 para 4,31 MZN.

A conta corrente da balança de pagamentos registou um agravamento. Dados que reportam o III trimestre de 2018 mostram um aumento do défice da conta corrente em USD 871 milhões, a reflectir o crescimento, não só das importações de bens de consumo intermédio, como também dos pagamentos de serviços ao exterior, relacionados com a actividade dos grandes projectos.

As Reservas Internacionais mantêm-se em níveis confortáveis. Desde o último CPMO, o saldo das reservas internacionais brutas incrementou USD 70,8 milhões, para USD 3.130,2 milhões em finais de Novembro, valor que permite cobrir 7 meses de importação de bens e serviços, excluindo as transacções dos grandes projectos.

As taxas de juro a retalho continuam a reduzir, em linha com a taxa MIMO. Informação disponível mostra que a taxa de juro média de crédito, para o prazo de um ano, reduziu de 23,25%, em Setembro, para 22,79%, em Outubro. O crédito bancário ao sector privado registou um ligeiro aumento mensal, num contexto em que grande parte da liquidez bancária continua a ser aplicada em instrumentos do Mercado Monetário Interbancário e em títulos da dívida pública. A taxa de juro média de depósitos para o prazo de um ano reduziu de 12,29%, em Setembro, para 11,50%, em Outubro.

A dívida pública interna continua elevada. Informação de Novembro indica que o fluxo da dívida pública interna contraída com recurso a Bilhetes do Tesouro, Obrigações do Tesouro e adiantamentos do Banco de Moçambique aumentou, desde o último CPMO, em 3.759 milhões de meticais, passando o saldo para 112.016 milhões de meticais (o equivalente a 12,8% do PIB). Os montantes acima não tomam em consideração outros valores de dívida pública interna, tais como contractos mútuos e de locação financeira, assim como responsabilidades em mora.

A nível da economia internacional, mantêm-se elevados os riscos de abrandamento da actividade económica. Os receios de um provável refreamento do crescimento mundial, por conta da fraca dinâmica das economias emergentes, continuam a dever-se à tensão comercial entre as principais economias, com impacto nos fluxos de comércio externo e na volatilidade do preço internacional do petróleo. O preço do barril de petróleo situou-se em USD 60,15 no fecho do dia 12 de Dezembro de 2018, contra os USD 63,34 observados no mesmo período de 2017.

Por: Benjamim Chabualo, Assessor de CI/AMB

Para gestão do SIMO Rede: BM assina contrato com a Euronet

bmeuronetO Banco de Moçambique (BM) e a Euronet assinaram na segunda-feira, dia 10, o contrato de licenciamento, implementação e manutenção de um sistema informático para pagamentos electrónicos interbancários a ser utilizado pela Sociedade Interbancária de Moçambique (SIMO).

O contrato foi assinado pela Directora do Gabinete Jurídico, Luísa Navela, em representação do BM, e pela presidente executiva da Euronet, Cynthia Ashcraft.

Segundo a Directora do GAJ, o contrato celebrado constitui um marco importante na materialização de um dos objectivos que ditou a criação da SIMO, nomeadamente a unificação das plataformas de pagamentos electrónicos.

Luísa Navela disse que a nova solução disponibilizada pela Euronet consiste num licenciamento perpétuo para responder às necessidades actuais do mercado oferecendo novas funcionalidades, apresentando a vantagem de estar certificada e responder às exigências dos diferentes sistemas de pagamentos internacionais.

“É nossa convicção que hoje inicia uma nova caminhada rumo à unificação de todas as plataformas de pagamentos electrónicos em Moçambique, objectivo que só será possível alcançar com o profundo envolvimento de todas as instituições de crédito e sociedades financeiras da SIMO e da nossa parceira, a empresa Euronet...” frisou Navela.

Por seu turno, a presidente executiva da Euronet, Cynthia Ashcraft, disse que a empresa que representa foi fundada em 1994 e desempenhou um papel fundamental ao trazer tecnologia de qualidade e acesso financeiro a economias emergentes em todo o mundo.

No que tange aos investimentos da Euronet, a Presidente Executiva esclareceu que possuem um investimento de 5,5 bilhões de dólares com mais de 41.000 caixas electrónicas em todo o mundo e fornecem serviços e soluções para clientes em aproximadamente 160 países.

A empresa tem como uma das suas prioridades o investimento em pesquisa e desenvolvimento de tecnologia, bem assim apostar em melhores práticas operacionais para garantir que as soluções de software sejam confiáveis, seguras e flexíveis para atender não apenas aos requisitos actuais do mercado, mas também ao cenário de sistemas de pagamentos que se encontram em constante mudança, incluindo do sistema bancário tradicional para o digital.

“Fizemos uma parceria com o Banco de Moçambique e a SIMO para fornecer a nossa solução de tecnologia avançada implantada em todo o mundo e em países como Moçambique, incluindo clientes que processam mais de 17 milhões de transações por dia, através das nossas soluções…” sublinhou Ascraft.

Participaram do evento, membros do Conselho de Administração e directores do BM, o Presidente da Associação Moçambicana de Bancos, representantes da Euronet e da SIMO. (BM)

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